Viver é nosso maior ritual

Devaneios sobre a importância de ritualizar a vida.

 

Viver é, antes de mais nada, lançar o barco em alto mar e navegar por entre os domínios oceânicos da jornada.

É compreender que as grandes travessias são compostas sobretudo pela soma das experiências cotidianas vividas em estado de alinhamento e de presença.

Dia após dia, é a forma como vivenciamos o cotidiano quem embala nossas percepções e afetos, movimentando nossa embarcação rumo a diferentes mares e marés.

É no presente que avançamos, porque é no presente que sentimos.

É o presente que desperta nossa alma.

E é o presente – e apenas ele – que temos ao alcance da existência.

Talvez ritualizar a vida seja, então, o ato de criar um espaço sagrado onde se faça possível retornar e descansar em si.

A magia de encontrar formas – sejam elas particulares ou coletivas, simples ou grandiosas – de significar e honrar os diferentes momentos da existência, a forma como eles nos tocam e nos levam ao movimento.

De entrar em comunhão com o divino que, desconhecendo fronteiras de tempo ou espaço, dança e rodopia por todos os cantos: tanto do oceano, quanto da embarcação.

Para a Ervaria, ritualizar é, sobretudo, uma questão de presença.

É aquilo que se faz necessário às nuances do caminho do autoconhecimento para que nos lembremos, mesmo em um mundo de tantas distrações, de que fundamental mesmo é estarmos em contato com quem somos – ainda que vez ou outra a gente se perca.

Ao contrário do que ouvimos volta e meia, tenho para mim que nossas doses de rituais não precisam ser complexas: basta que nos realinhem, nutrindo, expandindo e nos devolvendo ao nosso próprio caminho.

Seja sentando confortavelmente enquanto respiramos um aroma ou transpondo o que vem do íntimo em exercícios de escrita. Celebrando a chegada de um novo ano planetário a cada réveillon e de um novo ano pessoal a cada volta ao sol, ou através de pequenos atos que nos permitam reatar e reencontrar o poder de estar em paz em nossa própria companhia.

O ritual é aquilo que nos permite que permaneçamos um pouco mais conosco, descobrindo não apenas quem somos, mas o sentido de nossa travessia: tão única quanto a própria existência.

Do meu coração para o seu, espero que sigamos encontrando espaços para descobrir e acolher os rituais que nos levam de volta ao nosso íntimo. Que eles sigam sendo lembretes dos reais motivos pelos quais estamos aqui, apesar dos ruídos e distrações do dia a dia.

Se é ao olhar para dentro que mudamos o que existe para além de nós, quem sabe viver de peito aberto, entregues de coração ao estado de poesia da vida, seja de fato o maior dos rituais.

 Que os bons aromas sigam nos guiando e potencializando nossos encontros conosco.

Um beijo,

Estefânia